sábado, 16 de junho de 2007

AD VALOREM

Um blog com algum tempo de existência que nos passou ao lado, mas um verdadeiro local de intervenção, sobre os mais diversos temas que preocupam os estremocenses, se for do seu interesse ou tiver curiosidade visite este espaço, nasceu há cerca de um ano e tem andado despercebido da nossa comunidade local, para se deslocar até lá, clique no logo inserido abaixo

Já agora os meus parabéns ao Antonio Ramalho e deixo esta quadra do Aleixo

""Julgando um dever cumprir,

sem descer no meu critério,

digo verdades a rir

aos que me mentem a sério! ""

como um reflexo do ultimo post onde se lê "Porque dizem e escrevem verdades inconvenientes".

Poeta castrado, não! José Carlos Ary dos Santos

Aqui fica uma pequena homenagem, a um grande poeta Português.

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
é tão vulgar que nos cansa
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
a morte é branda e letal
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!